Recentemente, reservei um tempo para ler o Global Human Capital Trends 2026, publicado pela Deloitte.
Entre diversos temas, um em especial me fez parar a leitura por alguns minutos: Culture Debt, ou “dívida cultural”. A ideia é interessante porque desloca a discussão da tecnologia para um lugar que, na minha opinião, ainda recebe menos atenção do que deveria.
Enquanto as empresas avançam rapidamente na adoção de Inteligência Artificial, automação e novas ferramentas, nem sempre o mesmo investimento acontece na preparação das pessoas para viver essa transformação. E não estou falando de treinamento técnico. Estou falando de compreensão, confiança, clareza e senso de direção.
Foi impossível ler esse trecho sem lembrar de várias conversas que tivemos recentemente com clientes da io!.
Em nenhuma delas a principal preocupação era descobrir qual ferramenta de IA utilizar. As perguntas eram outras. Como fazer as pessoas entenderem por que a empresa está mudando? Como evitar que a tecnologia proporcione insegurança em vez de engajamento? Como garantir que a comunicação acompanhe a velocidade das decisões?
Percebi que essas perguntas têm muito menos relação com tecnologia do que normalmente imaginamos e elas dizem respeito à forma como as mudanças são comunicadas, ao papel da liderança e, principalmente, à capacidade da organização de construir confiança ao longo do processo.
Talvez seja justamente aí que a Comunicação Interna esteja assumindo um novo protagonismo. Durante muito tempo, ela foi vista como responsável por informar. Hoje, acredito que sua maior contribuição seja ajudar as pessoas a compreender. E existe uma diferença enorme entre uma coisa e outra.
Na prática, tenho percebido isso acontecer em praticamente todos os projetos que conduzimos. As discussões sobre canais, formatos ou campanhas continuam importantes, mas raramente são o ponto de partida. Antes delas, quase sempre existe uma conversa sobre comportamento, cultura e alinhamento entre liderança e equipes.
Foi por isso que esse conceito da Deloitte fez tanto sentido para mim. Aliás, o link está ao final, e recomendo a leitura.
Bom, fiquei pensando se essa não é uma boa pergunta para todos nós: estamos investindo apenas na adoção da Inteligência Artificial ou também na capacidade das pessoas de evoluírem junto com ela?
Até a próxima leitura.









