Faz pouco tempo que comecei a assinar um jornal impresso. Em tempos de tanta tela, pode parecer meio fora de época, mas percebi que estava precisando disso: deixar o celular de lado e voltar a fazer algumas leituras com mais calma e concentração.
Uma das editorias que gosto de acompanhar é a C-Level. Tem sempre gente de áreas diferentes falando sobre economia, RH, gestão, marketing…E é de lá que queria compartilhar um pouco sobre um artigo que me chamou a atenção: “Estudo mostra que cultura da empresa cede sob pressão por metas”.
A pesquisa em questão focou em quase 1.500 profissionais de empresas com mais de 100 funcionários. Vamos para os números:
- Nove em cada dez dizem conhecer a cultura do lugar onde trabalham, sendo que 58% a deixam de lado quando a pressão por metas aumenta. Já 36% praticam sempre a cultura.
- Da turma que ocupa cargo de liderança, 41% abrem mão de pontos importantes da cultura para bater meta. É o líder falando dele. Não do time, tá?
Para mim, ninguém precisa escolher entre a meta e o valor quando os dois apontam pro mesmo lado. É lógico que é fácil defender cultura quando as coisas estão indo bem. O teste de verdade vem quando aperta. E, chamar isso de hipocrisia seria cômodo demais. É mais sobre a distância entre o que a gente defende numa reunião tranquila e o que faz quando o trimestre não fecha.
Achei bem legal a avaliação da Fábia Silveira, da QualiBest: “No final do dia, cultura da empresa é o comportamento que você encontra na prática.” Isso mostra (e acredito nisso) que a cultura se prova no comportamento, não no discurso, e, de fato, orienta as decisões no final do dia.
Quando tem distância grande entre discurso e prática, a conta chega carregada de desengajamento, mais turnover, entre outras consequências. Fico pensando se a gente dá pra cultura da empresa a mesma atenção que dá pra bater meta. Ou se ela só aparece quando sobra tempo, como uma leitura de fim de semana, com calma, sem pressa nenhuma.
Fonte
“Estudo mostra que cultura da empresa cede sob pressão por metas” — Folha de S.Paulo, editoria C-Level









